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SESC THERMAS

CONCURSO NACIONAL 

3º LUGAR

CIDADE: PRESIDENTE PRUDENTE- SP

ÁREA: 25.090 m²

ANO: 2026

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AUTOR:  ARQ. MATIAS REVELLO VAZQUEZ, ARQ. TAÍSA FESTUGATO E ARQ. PATRÍCIA DE FREITAS NERBAS

COLABORADORES: ARQ. DIÓGENES LAZZARETTI - ARQ. FELIPE ROSSI CASSINI - ARQ. JANQUIEL FLORENCIO - ARQ. JULIANO MEZZOMO -GRAD. IGOR DE MARCH - ARQ. MARTHIAL MOREM - ARQ. NICHELE ROSSI - ARQ. OLIVER USZKURAT -  ARQ. RICARDO ZIMMER

CONSULTORES: ENG. JOSÉ LUÍS CANAL - ENG. LUIS MIGUEL FERREIRA DE ALMEIDA - ENG. SILMAR DA SILVA SENDIN

O projeto para o Sesc Thermas Presidente Prudente se estrutura em um sistema formal pautado no diálogo entre a história e o contexto do lugar, a cidade e a natureza. Essa abordagem visa criar transições suaves entre o público e o privado e entre as diversas escalas do projeto. As estratégias projetuais buscam atender as exigências do edital em sinergia com a regeneração sistêmica, manifestada em dupla vertente: a natural e a cultural. 


Essa integração de princípios se reflete na concentração do denso programa construído em uma área preexistente de intervenção, otimizando o uso do solo. O partido arquitetônico se apropria da topografia natural por meio de um escalonamento sutil que distribui o programa em patamares, minimizando recortes. A criação de um sistema de vazios foi pensada para a permeabilidade visual, conforto ambiental, fluidez espacial e ampliação da esfera pública. No nível da rua do acesso principal, estes vazios se manifestam em praças públicas que se estendem pela rua compartilhada. Estas praças ora descortinam, ora enquadram visuais da paisagem, ampliando a esfera pública e permitindo que as atividades se expandam de forma fluída entre os ambientes internos e externos. 


O programa tripartido manifesta-se em sua horizontalidade e verticalidade, buscando a escala humana e integração contextual. O setor de convivência, de tripla altura e centralizado de forma assimétrica, articula todo o programa e distribui os fluxos. Por meio de passarelas e um vazio de tripla altura, revela visuais da cidade e integra ambientes. Os setores esportivo e cultural foram dispostos de modo assimétrico em lados opostos, conforme topografia, orientação solar e contexto urbano, para oportunizar relações francas com a cidade, acessos independentes e autonomia, aproveitando-se da topografia natural e das condições climáticas, criando praças ativas livres ao percurso solar com áreas molhadas e praças com luz filtrada e sombreadas que geram sombras profundas cênicas. Verticalmente, a tripartição se reflete em um nível permeável à cidade, um superior que flutua (dedicado a usos múltiplos e trabalho), e um submerso conectado ao parque regenerativo (com lazer, esporte, recreação e alimentação voltados às atividades ordinárias). 


O sistema formal pautado na regeneração natural considerou o percurso solar, das águas, do ar e da biodiversidade local. A proposta integra os ciclos e fluxos das águas, evidenciada na renaturalização do córrego e pela implementação de infraestruturas naturais. O percurso solar e dos ventos guia a adaptação climática das formas e funções. A restauração dos ecossistemas naturais transforma toda a área em uma agrofloresta, com funções adaptadas a cada micro paisagem. Este sistema vivo harmoniza a restauração com atividades de educação e bem-estar, promovendo a agricultura urbana e regenerando espaços vitais para a saúde humana e a biodiversidade. A proposta busca transformar o parque em uma manifestação viva de aprendizagem recreativa, onde as soluções regenerativas se integram ao sistema formal e funcional do SESC, fomentando a educação socioambiental por meio da experiência imersiva. 


Complementarmente, a regeneração cultural se manifesta nas relações com a cidade, por meio de gentilezas urbanas que ampliam os limites públicos do parque e na interpretação da história do lugar, incorporando soluções socioambientais que remetem aos povos originários adaptadas às condições da contemporaneidade. As intervenções nas interfaces do parque com as ruas, criam micro paisagens públicas que ampliam a fruição e a segurança dos pedestres e criam pontos multifuncionais para feiras, mirantes e paradas, fortalecendo a conexão do Sesc com a cidade e a comunidade. 

 

A materialidade do projeto articula o passado e o presente, resgatando saberes e recursos tradicionais para a construção do amanhã atemporal, conectada à história do lugar e às dinâmicas da cidade. Exemplifica-se essa premissa: pelo uso da madeira laminada no sistema estrutural dos volumes superiores; o uso de tecido como filtro de luz, permeável ao ar, que transforma o edifício em sutis lanternas à noite; o aproveitamento da terra de movimentações topográficas na construção de taipas de pilão simboliza as raízes e as bases sólidas do edifício, reafirmando a perenidade das técnicas ancestrais; e o reuso das telhas existentes no local expressa um compromisso com a memória e a circularidade dos recursos, que ao serem transformadas em uma fachada ventilada, conferem funcionalidade e identidade singular que transcende o tempo. A estrutura formal, pautada na modularidade e pré-fabricação, oportuniza adaptabilidade espacial, flexibilidade de usos e faseamento otimizado da obra, conferindo economicidade. 

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