MOINHO DA CASCATA
ARQUITETURA DE RESTAURO
CONSTRUÍDO
CIDADE: CAXIAS DO SUL - RS
ÁREA: 255m²
ANO: 2015
RESPONSÁVEIS TÉCNICOS: ARQ. MATIAS REVELLO VAZQUEZ E ARQ. TAÍSA FESTUGATO
O projeto para o Centro Cultural Moinho da Cascata adaptou um antigo patrimônio industrial restaurado para sua utilização como espaço de arte e cultura na Serra Gaúcha. O edifício já era sede do Grupo Ueba, um grupo de teatro que o utilizava como espaço de oficina, ensaios e apresentações pontuais e decidiram ampliar este uso para um espaço cultural aberto à comunidade.
O edifício, construído para ser a sede dos Moinhos Germani, teve sua construção iniciada em 1905 já com um prédio em base de pedra e alvenaria portante de tijolos junto a cascata do arroio, aproveitando a proximidade da água para o funcionamento da roda que movimentava o moinho.
Em poucos anos a excelência da farinha produzida fez com que o edifício fosse ampliado duas vezes, com uma construção cuidadosa, com janelas em arcos abatidos e tijolos assentados em estilo inglês, se tornando um belo exemplar de arquitetura industrial da região.
O edifício foi tombado e restaurado no início do século XXI , o que possibilitou uma intervenção mínima para a sua adaptação para centro cultural. A nova arquitetura procura, portanto, adaptar o moinho a usos contemporâneos sem apagar as diferentes camadas acumuladas ao longo de sua existência.
O programa transforma os ambientes do térreo em espaços de uso cultural com diferentes possibilidades de ocupação. O acesso reúne recepção e cafeteria, podendo também receber pequenos eventos. No salão principal, biblioteca e áreas de permanência convivem com mesas destinadas a atividades coletivas, permitindo que o mesmo espaço seja utilizado para oficinas, encontros ou exposições. Essa flexibilidade orienta o desenho do mobiliário, com poucos elementos fixos e peças que podem ser reorganizadas conforme cada atividade.
As novas inserções procuram se distinguir da construção existente sem competir com ela. Elementos contemporâneos aparecem em tons claros e com desenho reduzido, criando contraste com as superfícies envelhecidas do edifício e com a estrutura de madeira mantida aparente. Em vez de reproduzir técnicas ou formas antigas, o projeto assume claramente o tempo presente da intervenção.
A iluminação também participa dessa estratégia. Elementos lineares são suspensos de forma independente da estrutura histórica, reduzindo interferências sobre as superfícies existentes e criando uma nova camada perceptível dentro do salão. A iluminação pontual foi utilizada para valorizar a arquitetura da edificação, como os arcos das janelas e as vigas de madeira.
Poucos elementos são fixados diretamente às superfícies existentes, enquanto mobiliário e divisórias permitem diferentes configurações ao longo do tempo. Dessa forma, a adaptação não estabelece uma ocupação definitiva, mas cria condições para que novos usos possam ser incorporados sem comprometer a leitura da preexistência.

























