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MAESA

PROJETO ARQUITETÔNICO DE RESTAURO E REABILITAÇÃO

EM ANDAMENTO

CIDADE: CAXIAS DO SUL - RS

ÁREA: 60.952,69 m²

ANO: 2022

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS: ARQ. MATIAS REVELLO VAZQUEZ,  ARQ. LUCAS VOLPATTO, ARQ.  TAÍSA FESTUGATO, ARQ. LUCAS FEHR.​​

CONSÓRSIO: VAZQUEZ ARQUITETOS + SPIN INTELIGÊNCIA URBANA + RODRIGUES, ANTUNES ADVOGADOS ASSOCIADOS.

CLIENTE: MUNICÍPIO DE CAXIAS DO SUL​

ILUSTRAÇÃO CAPA: GUILHERME LEMKE​

O projeto de Reabilitação da MAESA dá continuidade ao Plano Geral desenvolvido anteriormente para o conjunto industrial de Caxias do Sul. Se o primeiro trabalho estabeleceu critérios para orientar sua ocupação futura, esta nova etapa avança sobre uma questão mais concreta: como transformar um complexo industrial tombado em uma parte ativa da cidade e, ao mesmo tempo, construir um modelo capaz de viabilizar sua implantação ao longo do tempo? 

A configuração espacial existente tornou-se o ponto de partida do projeto. A MAESA foi construída ao longo de diferentes períodos e reúne pavilhões separados por passagens internas, espaços abertos e diferenças significativas de nível. Sua dimensão — aproximadamente 390 metros no sentido leste-oeste por 140 metros no sentido norte-sul — fez com que a antiga fábrica funcionasse durante décadas como uma grande barreira urbana. 

Surge daí o conceito de Cidadela MAESA. A imagem da fábrica fechada sobre si mesma é transformada a partir da própria estrutura que lhe dava autonomia: seus pavilhões passam a configurar uma pequena cidade, e as antigas circulações industriais assumem o papel de espaços públicos. O objetivo não é transformar o conjunto em um único grande edifício, mas preservar a leitura de diferentes construções organizadas por ruas e praças.

A transformação mais importante acontece, portanto, no vazio entre as construções. Lugares antes destinados ao deslocamento de materiais ou à operação fabril passam a formar uma estrutura de circulação pública capaz de atravessar a quadra. A abertura de novas conexões procura aproximar áreas da cidade historicamente separadas pelo complexo e ativar suas fachadas para as ruas existentes. 

Definir o que colocar dentro de aproximadamente uma quadra industrial exigiu mais do que distribuir um programa de necessidades. O estudo desenvolveu uma Matriz de Usos para avaliar a compatibilidade entre diferentes atividades e os edifícios existentes. A ferramenta considera a aderência do uso aos valores culturais do imóvel, sua capacidade de evitar períodos prolongados de ociosidade e a relação que estabelece com o entorno. Também avalia o potencial de retorno necessário à manutenção futura do conjunto.

Essa metodologia procura inverter uma lógica frequente na reutilização de grandes estruturas: em vez de adaptar o patrimônio às exigências de um programa definido antecipadamente, são as características de cada bloco que ajudam a determinar os usos possíveis.

O cenário resultante combina equipamentos de interesse público com atividades capazes de produzir fluxo cotidiano. O Bloco 1, mais antigo e emblemático da fábrica, concentra grande parte do maquinário preservado e assume a vocação ligada à memória do trabalho. Outros pavilhões podem receber o Mercado Público ou espaços de produção cultural, enquanto determinadas áreas incorporam atividades econômicas necessárias para manter o conjunto ocupado durante diferentes períodos do dia.

Essa distribuição também responde a uma questão urbana. Atividades com maior capacidade de atração são posicionadas de maneira a estimular percursos por diferentes setores da Cidadela, reduzindo a possibilidade de concentração de movimento em apenas uma entrada ou praça. A estratégia se aproxima da lógica de implantação de âncoras utilizada em grandes equipamentos comerciais, aplicada aqui como instrumento para ativação de um patrimônio de escala urbana.

A materialidade das novas intervenções parte do princípio da distinguibilidade. Elementos contemporâneos devem estabelecer relação com a preexistência sem reproduzir artificialmente sua linguagem.

Nas novas construções, a relação é estabelecida por compatibilidade, não por imitação. Aço e concreto aparente aparecem associados a planos transparentes, deixando evidente a diferença temporal entre as intervenções. A escolha busca preservar a leitura histórica do conjunto sem impedir que a arquitetura contemporânea participe de sua transformação.

Nos trechos em que os pavilhões existentes não apresentavam elementos que justificassem sua preservação e tiveram sua liberação admitida, a implantação original foi tomada como referência para as novas edificações. As inserções contemporâneas preservam a lógica de ocupação do conjunto e acrescentam uma nova camada à sua história. 

A reabilitação MAESA transforma, assim, o Plano Geral em um exercício de implementação. Patrimônio e viabilidade deixam de ser tratados como questões opostas: a sustentabilidade econômica é entendida como parte das condições necessárias para que um conjunto desta dimensão possa permanecer conservado e ocupado.

A Cidadela não nasce da introdução de uma nova ordem sobre a MAESA. Ela já estava contida na estrutura da fábrica. O projeto procura abrir suas ruas, ocupar seus edifícios e fazer com que essa pequena cidade volte a participar da cidade maior.

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