HOTEL CALDAS NOVAS IMPERATRIZ
ARQUITETURA HOTELEIRA
EM ESTUDO
CIDADE: SANTO AMARO DA IMPERATRIZ- SC
ÁREA: 28,900 m²
ANO: 2026
AUTORES: ARQ. MATIAS REVELLO VAZQUEZ, ARQ. TAÍSA FESTUGATO, ARQ. PATRICIA DE FREITAS NERBAS.
EQUIPE: ARQ. JULIANO MEZZOMO.
CONSÓRCIO: VAZQUEZ ARQUITETOS + RODRIGUES, ANTUNES ADVOGADOS ASSOCIADOS + INVESTOR + FÁBIO VANIN, DIREITO PÚBLICO, AMBIENTAL E URBANÍSTICO
O projeto propõe a requalificação do Complexo Termal Caldas da Imperatriz, em Santo Amaro da Imperatriz, Santa Catarina. Criado a partir do Hospital Termal implantado no século XIX, o conjunto mantém há mais de dois séculos sua relação com o uso terapêutico das águas minerais.
A proposta parte do entendimento de que as construções existentes apresentam diferentes níveis de valor patrimonial. A Ala 1, núcleo mais antigo do complexo, recebe uma intervenção predominantemente de restauro. A Ala 2, construída na década de 1930 e posteriormente modificada, admite maior adaptação. Construções recentes sem interesse histórico significativo são removidas ou substituídas, permitindo reorganizar a ocupação do terreno.
A Ala 1 passa a abrigar o Memorial Caldas da Imperatriz – Centro Cultural Termal. A nova função permite preservar sua organização espacial, mantendo o corredor longitudinal e convertendo os antigos dormitórios em espaços expositivos. As banheiras históricas permanecem em funcionamento e passam a integrar a experiência cultural do edifício. A decisão procura preservar não apenas seus elementos materiais, mas também a continuidade do uso que caracteriza o lugar.
A Ala 2 é requalificada para receber o Wellness Center do novo hotel. Por apresentar maior capacidade de adaptação, concentra parte das intervenções necessárias à atualização funcional do conjunto, reduzindo a necessidade de alterações no edifício mais antigo. Novos núcleos de circulação e adequações de acessibilidade são inseridos principalmente em áreas já transformadas ao longo do tempo.
As novas edificações concentram o programa de hospedagem. Sua implantação acompanha a topografia do vale e mantém altura controlada junto ao núcleo histórico, preservando a predominância visual das construções existentes na chegada ao complexo. Os blocos são deslocados entre si, criando maior abertura para a paisagem e favorecendo a ventilação natural das unidades.
Nos locais ocupados por construções sem elementos relevantes para preservação, a reorganização do terreno permite a implantação dos novos volumes. A arquitetura contemporânea é assumida como uma nova camada na história do conjunto, sem reproduzir formalmente as edificações antigas.
A materialidade reforça essa relação. Telhas cerâmicas provenientes das demolições seletivas são reutilizadas nas fachadas do hotel como elementos de sombreamento. Organizadas em painéis, passam a compor uma fachada ventilada e estabelecem uma continuidade material entre as preexistências e as novas construções.
Mesmo com a ampliação do programa, o projeto reduz a taxa de ocupação existente. A retirada de pequenas construções dispersas permite concentrar os novos usos em volumes mais compactos e ampliar a continuidade das áreas livres. A implantação também evita novas ocupações nas faixas ambientalmente protegidas.
O acesso público às águas permanece independente da operação hoteleira. Um novo edifício reúne o fontanário e os banhos termais públicos, organizados ao redor de um pátio que proporciona iluminação e ventilação natural às cabines.
O paisagismo complementa a requalificação ao transformar as áreas livres em parte da infraestrutura ambiental do complexo. Percursos conectam os diferentes programas, enquanto jardins filtrantes participam do manejo das águas e da recuperação das áreas mais baixas do terreno.
A proposta busca, assim, atualizar o Complexo Termal Caldas da Imperatriz sem interromper a relação que deu origem ao lugar: a arquitetura organizada a partir da presença da água.

























