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MAESA PLANO GERAL

PLANO GERAL DE OCUPAÇÃO E REQUALIFICAÇÃO DO CONJUNTO MAESA

ENTREGUE

CIDADE: CAXIAS DO SUL - RS

ÁREA: 53.125,30 m²

ANO: 2022

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS: ARQ. MATIAS REVELLO VAZQUEZ E ARQ. LUCAS VOLPATTO

EQUIPE TÉCNICA:  ARQ. TAÍSA FESTUGATO, ARQ. LUCAS FEHR, ARQ. ORITZ ADRIANO ADAMS DE CAMPOS, ARQ. ARIANE PEDROTTI DE ÁVILA DIAS, ARQ. JORGE TINOCO, ARQ. SILVIO OKSMAN, ARQ. DANGLE MARINI, ARQ. HELENICE MACEDO DO COUTO, ARQ. MARIA EDWIGES SOBREIRA LEAL, ARQ. CLÁUDIO FORTE MAIOLINO, ARQ. EDILSON BORGES DE BARROS, ARQ. ALENCAR MASSULO DE OLIVEIRA.
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CONSULTORES JURÍDICOS: FÁBIO SCOPEL VANIN E GERUSA COLOMBO.

COLABORADORES:  ARQ. JULIANO MEZZOMO, ARQ. FELIPE CASSINI.

CLIENTE: MUNICÍPIO DE CAXIAS DO SUL​

ILUSTRAÇÃO CAPA: GUILHERME LEMKE​

O Plano Geral da MAESA parte de uma questão central: como devolver à cidade um grande complexo industrial tombado valorizando seu potencial histórico  promovendo uma nova ocupação?

Localizada em Caxias do Sul, a antiga fábrica ocupa uma área de grande presença na estrutura urbana e guarda uma relação direta com o processo de industrialização da cidade. Sua escala, entretanto, transforma qualquer intervenção isolada em uma decisão capaz de afetar o conjunto. Por isso, antes da definição de projetos específicos de restauro ou arquitetura, o trabalho propõe uma estratégia para orientar sua ocupação ao longo do tempo.

O Plano Geral foi desenvolvido como instrumento de planejamento. Em vez de estabelecer uma configuração definitiva, identifica possibilidades de uso, critérios de intervenção e relações entre os diferentes edifícios, considerando também a disponibilidade administrativa e financeira para que a transformação possa ocorrer de forma gradual. A condição da MAESA como patrimônio cultural tombado é entendida como ponto de partida do projeto, e não como uma restrição posterior à definição do programa.

A leitura do conjunto ultrapassou os limites de seus edifícios. Para que a antiga fábrica volte a participar efetivamente da vida urbana, o estudo considera sua relação com as ruas próximas, as diferenças de nível existentes e as possibilidades de criação de novos acessos. O objetivo é transformar uma estrutura originalmente concebida para uma lógica industrial fechada em uma parte novamente permeável da cidade.

A grande dimensão da MAESA levou o trabalho a analisar os blocos individualmente, permitindo reconhecer diferentes capacidades de adaptação e estabelecer diretrizes específicas para cada situação. A preservação, nesse sentido, não é tratada de maneira homogênea. As características físicas de cada edifício são confrontadas com sua importância para a memória do conjunto e com sua possibilidade de receber novos usos.

Essa abordagem permite que conservação e transformação façam parte de uma mesma estratégia. Em alguns pontos, a manutenção das estruturas existentes assume papel predominante. Em outros, intervenções contemporâneas podem contribuir para recuperar relações urbanas que hoje estão interrompidas.

Nos blocos 10 e 15, por exemplo, o Plano Geral estuda a substituição das construções existentes por uma nova edificação implantada sobre seus perímetros. A proposta utiliza a diferença de cotas entre o interior da fábrica e as ruas para estabelecer novas conexões com o entorno. O edifício incorpora usos capazes de manter essa extremidade do complexo ocupada por períodos mais extensos, enquanto os pavimentos relacionados ao pátio recebem atividades comerciais.

A operação também revela outra premissa do trabalho: novos elementos não devem reproduzir a arquitetura industrial para estabelecer uma relação com ela. No estudo desses blocos, a nova construção se afasta do muro de contenção existente, deixando parte da estrutura aparente e fazendo com que a própria técnica construtiva passe a integrar a leitura do espaço. Um mirante estabelece uma nova chegada pela Rua Pedro Tomazzi e cria uma ligação entre a cidade e o interior do conjunto.

Mais do que definir um novo programa para uma antiga fábrica, o trabalho procura estabelecer condições para que diferentes intervenções futuras possam formar parte de um processo comum. A arquitetura passa, assim, a atuar como instrumento de mediação entre a permanência do patrimônio e as transformações necessárias para sua continuidade.

A MAESA esteve ligada ao desenvolvimento industrial de Caxias do Sul. Sua reocupação abre a possibilidade de atribuir uma nova função urbana a esse patrimônio, incorporando atividades culturais e usos econômicos capazes de manter o conjunto ativo.

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